17.10.11

[do outro lado da Ponte]



Do outro lado a liberdade tem um outro significado, a alegria não acaba ao pôr do Sol e a História ganha um novo final. Do outro lado da Ponte não há segredos entre mim e a eternidade, não há ensaios sobre cegueira, não existem meias verdades.

É uma Ponte longa e velha (muito velha) parecida com aquelas dos filmes de aventuras. As cordas antigas em alguns trechos arrebentadas, oferecem pouca segurança e a madeira, bem... essa dispensaria qualquer tipo de comentário. Numa síntese, é o tipo de aventura que nenhum gostaria de vivenciar, a menos que tivesse motivos intrigantes como o meu.

Não esperava que alguns dos que estão deste lado da Ponte entendessem os motivos pelos quais arriscaria minha vida, minha credibilidade e tudo que conquistei ao longo de uma vida toda do lado de cá. Mas eu sabia que essa Ponte me separava de grandes mistério - sempre soube disso.

Arrisco os primeiros passos. Pedaços de madeira danificados provocam feridas profundas nos meus pés, mas me nego a voltar. Em alguns trechos da Ponte não há onde apoiar a mão. Preciso me agachar caso queira manter o equilíbrio. A vulnerabilidade aumenta junto como a certeza de ter feito a escolha certa. Só o sonho de alcançar o inalcançável mantém-me no caminho (e mais uma vez quero ser incisivo em dizer que não esperava que ninguém dos que deixei pra traz entendesse isso).

Depois de caminhadas, pausas, choros e gritos que gritei dentro de mim, mas uma vez meus olhos voltam a lacrimejar, mas desta vez, por já avistarem do outro lado, outros pés feridos e rostos iluminados que traduzem o indescritível.

Ainda tenho um trecho pra percorrer, meus medos pra derrotar, meu ego pra vencer, minhas dores pra deixar, e a eternidade pra viver; por isso, avanço sem ter pressa pro que me espera além dessa Ponte, o "pra sempre".

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